As novas variantes do SARS-CoV2

Os vírus possuem um material genético que funciona como um código. Esse código é replicado todas as vezes que o vírus se multiplica, fazendo com que o vírus tenha as características próprias dele. Quando essa replicação acontece, algumas pequenas mudanças podem ocorrer nesse código original, dessa forma, esse material genético passa a codificar outra informação, esse processo é chamado de mutação. Por causa disso, essas pequenas mudanças podem promover alterações nas características do vírus, por exemplo, essa outra codificação pode modificar as moléculas da superfície do vírus, até mesmo modificar a forma que o vírus usa para entrar na célula. É como se o vírus mudasse um pouco sua aparência ou modificasse a chave que ele usa para entrar nas células por causa da mudança deste código.


Quanto mais um vírus se espalha na população, maiores são as chances de acontecerem essas mutações. O problema é que algumas vezes essas mutações são boas para o vírus (ele quer escapar do sistema imune e também infectar mais facilmente os outros humanos), aumentando suas chances de se espalhar mais rapidamente.


Foi o que aconteceu com o novo coronavírus. Três mutações principais foram descritas tendo origem em países distintos: Reino Unido (B.1.1.7), Brasil (P.1, no estado de Amazonas) e África do Sul (B1.351). Todas essas variantes possuem mutações na proteína Spike, a molécula que o vírus usa para entrar na célula do hospedeiro (humano) e estabelecer a infecção.


Depois de identificados os primeiros casos em seus locais de origem, logo as variantes se espalharam para outros lugares do globo. No Brasil, por exemplo, a variante P.1 causa cerca de 64% das infecções na cidade de São Paulo. Essa maior transmissão observada pode ocorrer devido a maior capacidade de entrada do vírus na célula, isso porque, a mutação na proteína Spike faz com que ela se ligue com maior afinidade ao seu receptor. A variante da África do Sul também possui maior facilidade de transmissão e um aumento na carga viral nos indivíduos infectados. Se a carga viral é maior, mais vírus são liberados nas gotículas ao falar e tossir, aumentando a transmissibilidade. Enquanto que os indivíduos infectados com a variante do Reino Unido apresentam sintomas mais graves, além de serem mais transmissíveis.