Desvendando o que existe por trás dos testes para COVID-19



Muita gente tem muitas dúvidas sobre os testes para COVID-19. Por que esses testes demoram tanto? Por que não é todo mundo testado? Entre muitas outras dúvidas.

Antes de mais nada vamos entender o que são os testes que estão sendo utilizados e como eles funcionam:


1. TESTE RÁPIDO

Como funciona ?

Quando a pessoa entra em contato com o vírus o corpo começa a tentar se defender da doença através do sistema imunológico. Existem muitas maneiras que o sistema imune usa para defender nosso corpo, uma delas é produzindo anticorpos contra o vírus.



Anticorpos?

São estruturas em formato de Y que o sistema imunológico produz para conter a reprodução do vírus no corpo e garantir imunidade à doença. O sistema imunológico é capaz de produzir anticorpos específicos para cada vírus, bactéria, o que for que entre em nosso corpo e tente nos deixar doentes. Então, quando um anticorpo específico vê o vírus que é seu par, ele gruda na hora e não larga mais.

O teste rápido mede justamente a presença desses anticorpos específicos para o SARS-CoV-2 na gota de sangue. Se o vírus alguma vez infectou a pessoa, os anticorpos estarão presentes no sangue e o teste será positivo.


"Parece maravilhoso! Porque não usar em todo mundo?"


Vamos entender algumas coisas primeiro:

Os testes rápidos precisam passar por normas de segurança rígidas antes de serem liberados para o uso. Não é qualquer teste que pode ser usado, não! E isso demora um pouquinho.

Antes de liberar os testes,o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS)/Fiocruz, precisa saber se o teste é sensível o suficiente para reconhecer os anticorpos específicos para SARS-CoV-2 na gota de sangue. Se existem esses anticorpos e o teste não detectou, isto é um falso-negativo! Além disso, o teste precisa ser específico o suficiente para reconhecer apenas os anticorpos para SARS-CoV-2 e mais nada. Se o teste detectou outras coisas que não sejam os anticorpos, isto é um falso-positivo!


E para que isso importa?

Falsos-negativos precisam ser evitados para que pessoas doentes não deixem o isolamento social e voltem a circular espalhando o vírus.

Falsos-positivos podem colocar profissionais da saúde em isolamento social sem necessidade e nessa altura do campeonato não podemos deixar isso acontecer de jeito nenhum, não é mesmo?!


Outra coisa é que o corpo só é capaz de produzir anticorpos suficientes para serem detectados pelo teste a partir do oitavo dia do início dos sintomas. Se o paciente for testado antes, pode receber um negativo mesmo que tenha a COVID-19, ou seja, um falso-negativo.

Principalmente por esse último motivo, os testes rápidos possuem alta taxa de falso-negativo e precisam sempre ser acompanhados de análise dos sintomas pelo médico responsável pelo paciente.

Mesmo com tudo isso, o teste rápido ainda é uma ótima opção para avaliar a população nesse momento. Porém não temos testes suficientes para todos.


2. TESTE DE PCR : Reação em Cadeia da Polimerase





"O que é isso, Senhor Deus ?! " Calmaaaa que vou simplificar.


O PCR é um teste muito usado pelos cientistas na pesquisa. Com ele a gente consegue entender melhor o que está acontecendo dentro da célula já que avaliamos o material genético com essa técnica.

Sabe material genético? Aquele que vem parte do seu pai, parte da sua mãe e todas as suas características dependem dele?! É esse mesmo que a gente estuda. E o vírus também tem um tipo de material genético que diz quem é ele.

No caso do COVID-19, o PCR é utilizado para detectar se o material genético do vírus está presente no organismo da pessoa, apenas coletando um pouco de secreção do Nariz ou garganta com um swab( tipo um “cotonete”) . Por esse motivo ela é uma técnica de alta confiabilidade, mesmo se a pessoa não apresenta sintomas, se o vírus estiver lá, o PCR vai dizer.



"Vamos fazer esse tal de PCR para todo mundo?!"

Seria um sonho, mas infelizmente não dá, pelo menos não aqui no Brasil!


PCR é uma técnica muito cara. Para fazer o teste precisamos seguir uma lista como uma receita de bolo, o os ingredientes são bem caros e precisam vir do exterior. E isso demora bastante.

Além disso, essa técnica precisa ser feita em laboratórios com pessoas capacitadas, para diminuir ao máximo a chance de erro. Quem põe todos os ingredientes são os cientistas e quem executa o teste é uma máquina, que demora por volta de 4 h.


"4 h? Mas demora dias para o resultado chegar ao hospital?"

Sim, porque depois que acaba o teste, o resultado que sai da máquina precisa ser analisado com muito cuidado por um profissional experiente e isso leva um tempo.

Agora imagine a quantidade de pedidos de exames, são milhares de amostras de pacientes chegando todos os dias! Muitas vezes, quando chega a vez de uma amostra ser analisada, o paciente já faleceu...Por isso o grande número de testes pós-morte.

Diante de toda essa situação, o governo decidiu testar apenas as pessoas que estão com casos graves no hospital.

Profissionais da saúde, policiais e bombeiros também têm prioridade nos testes devido ao grande contato com pessoas e por serem essenciais nesse momento. Essa informação vale tanto para testes rápidos quanto para PCR.

Agora você entende porque algumas pessoas vão ao médico com sintomas de COVID-19 e ele não faz testes, apenas pede para elas ficarem em casa e só voltarem ao hospital em caso de falta de ar ou outros sintomas graves? Um dos motivos são os testes.


E a contraprova? O que é isso?

No começo da infecção por COVID-19 no Brasil, as pessoas que testassem positivo para a COVID-19 ( e em alguns casos excepcionais, em testes negativos também) precisavam enviar amostras de material para realizar outro exame de confirmação (uma PCR) em laboratórios de referência do país, como o Instituto Adolfo Lutz e o Hospital Albert Einstein, ambos em São Paulo (SP).

Mas com o grande aumento dos casos isso se tornou inviável e então cada caso positivo passou a ser notificado em seu próprio estado a partir de testes (quando disponíveis), diagnóstico médico e estudo dos locais e pessoas com as quais o doente teve contato, para saber se ele estava em um lugar com muitos casos ou não.


Ainda tem dúvidas sobre testes? Manda uma pergunta pra gente!


Por Nayara Pereira em 13/04/2020.



Referências:


1. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância Epidemiológica Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional pela Doença pelo Coronavírus 2019. Vigilância Integrada de Síndromes Respiratórias Agudas Doença pelo Coronavírus 2019, Influenza e outros vírus respiratórios. Atualizado em 03/04/2020.


2. Ministério da Saúde. Protocolo de manejo clínico do coronavírus (COVID-19) na atenção primária à saúde. versão 7. Brasília – DF. Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS). Abril de 2020.


3. Organização mundial da Saúde (OMS). Use of laboratory methods for SARS diagnosis. WHO website: https://www.who.int/csr/sars/labmethods/en/. Acesso em 10.04.2020.


4. Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC -USA ). Testing for COVID-19. CDC website: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/symptoms-testing/testing.html. Acesso em 10.04.2020.


5. Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC -USA ). Evaluating and Testing Persons for Coronavirus Disease 2019 (COVID-19). CDC website: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-nCoV/hcp/clinical-criteria.html. Acesso em 10.04.2020.


*As figuras presentes nesse texto foram produzidas via Biorender ou retiradas de bancos de imagens com autoria desconhecida na internet.

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