Por que os idosos são o principal grupo de risco?

Logo no início da pandemia, já se observou que o novo coronavírus (o SARS-CoV-2) causava um quadro clínico mais severo em alguns indivíduos, podendo inclusive levar ao óbito. Sendo essas condições mais frequentes nos indivíduos idosos. Mas hoje sabemos que a gravidade da COVID não se limita apenas a faixa etária, mas que existem diversos fatores de risco para a severidade da doença.

Dados de órgãos de saúde oficiais, como Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, ressaltam os idosos entre os mais suscetíveis e entre aqueles afetados pelos maiores índices de letalidade quando atingidos pelo SARS-CoV-2.

A infecção pelo SARS-CoV-2 causa uma condição chamada de síndrome respiratória aguda grave (SARS em inglês). E dados recentes mostram que no Brasil, 51, 4% de SARS decorrente da COVID-19 ocorrem em idosos (acima dos 60 anos de idade), concentrando cerca de 73% dos óbitos. Um número bastante expressivo e que enfatiza a necessidade do cuidado como medida de prevenção.


Mas por que isso acontece?


Idosos de maneira geral, costumam ser mais suscetíveis a diversas doenças infectocontagiosas (como por exemplo: pneumonia, influenza, H1N1 e tuberculose), e a COVID-19 não é uma exceção. Portanto, existe uma série de fatores que contribuem para essa maior suscetibilidade, e entre eles está o fato de que o sistema imunológico do idoso (que é o sistema de defesa do organismo) vai se tornando enfraquecido ao longo da idade, com uma diminuição de sua função. Essas alterações no sistema imunológico naturais da idade é chamada de imunossenescência.

Como consequência deste processo, o corpo vai perdendo a capacidade de responder a infecções, principalmente infecções que são novas (que o organismo nunca viu antes). Além disso, também ocorre uma diminuição na capacidade de produzir anticorpos, por exemplo. Sem contar que no indivíduo idoso ainda ocorre um fenômeno de inflamação de baixo grau, que no idoso é chamada de Inflammaging (do inglês). E isso pode ser um fator que contribui para o risco a uma maior severidade na COVID-19.

Desta forma, o corpo pode não apenas reagir de maneira insuficiente – sendo incapaz de combater a doença provocada pelo vírus – como também oferecer uma resposta exagerada, que pode inclusive prejudicar o organismo.

De maneira geral, idosos e indivíduos portadores de doenças crônicas normalmente possuem um risco mais elevado de contraírem vírus que causam problemas respiratórios, como o influenza (vírus da gripe), e sofrerem maiores complicações dessas infecções. Além disso, no caso dos males cardíacos, a circulação prejudicada e a debilidade dos pulmões parecem favorecer a agressividade da infecção.

Além dessas alterações na resposta de defesa do idoso, existem outros problemas que podem contribuem para a gravidade da COVID-19 nessa população. E isso se estende a outras condições não infecciosas, como por exemplo hipertensão, diabetes, outras doenças crônicas, como problemas cardíacos e renais. E já sabemos no contexto da COVID-19, que essas outras complicações, chamadas de comorbidades, também são agravantes para a doença (independente da idade).

Outro ponto bastante importante é o fato de que idosos tendem a ir ao hospital com mais frequência e isso pode aumentar a exposição e o risco de “pegar” o coronavírus, além do fato de que o idoso, muitas vezes, faz uso frequente de várias outras medicações.

Por isso, o mais indicado é permanecer em quarentena. E quando for necessário sair de casa, manter as medidas de prevenção. Vamos nos prevenir e zelar pelos mais vulneráveis.


Por Franciane Mouradian Emidio Teixeira em 17/09/2020.


Fonte:

  1. Boletim Epidemiológico Especial nº30. Doença pelo Coronavírus COVID-19. Semana Epidemiológica 36 (30/08 a 05/09). Ministério da Saúde, Brasil, 2020. Disponível em: https://www.saude.gov.br/images/pdf/2020/September/09/Boletim-epidemiologico-COVID-30.pdf

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