A luz do sol é capaz de destruir o novo coronavírus?

#Fake! Uma pesquisa realizada nos EUA afirma que o novo coronavírus morre rapidamente após ser exposto à luz solar direta, entretanto a pesquisa ainda não passou pelo processo de revisão por outros cientistas (como toda publicação científica) e ainda não foi publicada em uma revista científica de maneira final. Somente após um processo rigoroso de revisão por outros cientistas e a publicação dos dados, é que podemos avaliar se os resultados são ou não confiáveis.

Até o momento, não há comprovação científica da capacidade dos raios solares de eliminarem o novo coronavírus. A luz solar é composta pelos raios UVA, UVB (onda longa e onda média, respectivamente) e UVC (onda curta). Os raios UVA e UVB são capazes de atingir a superfície da terra, mas é pouco provável que sejam eficientes na destruição do vírus. O novo coronavírus, apesar de persistir por até 72h horas em algumas superfícies, poderia morrer simplesmente por estar fora de uma célula, antes que os raios UVA e/ou UVB tivessem potencial para eliminá-lo.

Já os raios UVC são bem eficientes em matar rapidamente microrganismos como vírus e outros agentes infecciosos, pois esses raios causam danos incorrigíveis no material genético dos organismos. Porém, os raios UVC não atingem a superfície da terra e, portanto, é pouco provável que a luz solar seja capaz de destruir o SARS-CoV-2 apenas com raios UVA e UVB. O #fato é que conseguimos produzir lâmpadas que emitem artificialmente os raios UVC e as utilizamos para eliminar microrganismos causadores de doenças, assim como o SARS-CoV-2, de materiais hospitalares, superfícies e demais objetos.

No entanto, vale lembrar que não podemos ter contato direto com esses raios UVC, pois, assim como os microrganismos, poderíamos ter danos incorrigíveis em nossas células e isto, comprovadamente, pode desencadear doenças como o câncer. Dessa forma, a lâmpada UVC só deve ser utilizada em ambiente hospitalar ou laboratorial, por profissionais que possuem os equipamentos de proteção adequados.


Por Renato da Silva Cardoso em 30/04/2020.


Fontes:


1. DARNELL, Miriam E.R. et al. Inactivation of the coronavirus that induces severe acute respiratory syndrome, SARS-CoV, Journal of Virological Methods, v. 121, n. 1, p. 85–91, 2004. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jviromet.2004.06.006


2. DERRAIK, José G B et al. Rapid evidence summary on SARS-CoV-2 survivorship and disinfection, and a reusable PPE protocol using a double-hit process, medRxiv, p. 2020.04.02.20051409, 2020. DOI: https://doi.org/10.1101/2020.04.02.20051409


3. KEIL, Shawn D; RAGAN, Izabela; YONEMURA, Susan; HARTSON, Lindsay; DART, Nicole K; BOWEN, Richard. Inactivation of severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 in plasma and platelet products using a riboflavin and ultraviolet light‐based photochemical treatment. Vox Sanguinis, [s.l.], p. 1-9, 20 abr. 2020. Wiley.

DOI: http://dx.doi.org/10.1111/vox.12937.


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