Nota sobre o uso da cloroquina para tratamento da COVID-19

No início da pandemia de COVID-19 a cloroquina/hidroxicloroquina foi um dos medicamentos que tiveram estudo priorizado para tratamento da COVID-19 por ter apresentado efeito satisfatório “in vitro”, ou seja, em células de laboratório. Porém, isso não quer dizer que a cloroquina seja eficaz em humanos, pois apenas 7% dos medicamentos que possuem efeito “in vitrotêm sucesso na clínica.

E foi isso que a maioria dos estudos publicados até agora mostraram. O tratamento com a cloroquina/hidroxicloroquina em pacientes infectados ainda precisa ser mais estudado quanto a dose segura que será ingerida pelo paciente, efeitos adversos, melhora dos sintomas da doença e redução da quantidade de vírus. Entretanto nenhum dos trabalhos científicos publicados confirmaram a eficácia e segurança da cloroquina/hidroxicloroquina em todos estes parâmetros.

Outros estudos também mostraram que a cloroquina/hidroxicloroquina possui efeito tóxico para o coração, o que poderia agravar ao invés de melhorar o quadro de pacientes com COVID-19 que possuem algum problema cardíaco. E foi o que aconteceu, muitos pacientes infectados que utilizaram o medicamento apresentaram dano causado ao coração e alguns até mesmo vieram à óbito por insuficiência cardíaca. Por isso alguns estudos foram interrompidos e muitos médicos deixaram de usar esse medicamento em seus protocolos de tratamento.

De fato, antes desses novos estudos serem realizados, alguns médicos adotaram o uso da cloroquina/hidroxicloroquina no tratamento de seus pacientes, mas fizeram isso mesmo com pouca validação científica. Essa atitude não é errada, pois na ausência de um medicamento eficaz, os médicos têm a autonomia de usar medicamentos que acreditam que possa ter algum efeito benéfico ao paciente. Esse procedimento é conhecido como uso compassivo, que ocorre quando o médico usa um tratamento ainda não totalmente validado para tratamento de uma determinada doença em pacientes que, por exemplo, estão internados em UTIs. Perceba que é uma atitude tomada em uma situação muito séria, com pacientes sem muitas escolhas. O ideal é que todo medicamento passe por todos os testes, antes de ser usado como tratamento.

Novos estudos já demonstraram efeitos prejudiciais desse medicamento no tratamento para COVID-19, até mesmo com agravamento do quadro clínico do paciente, podendo levá-lo à óbito. Dessa forma, através de embasamento científico, a equipe COVID Verificado adverte que o uso em massa desse medicamento é extremamente arriscado, inseguro e precipitado.


Equipe COVID Verificado em 18/05/2020.

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