Origem do coronavírus

Vírus são organismos incapazes de se reproduzir fora de uma célula hospedeira. Eles possuem material genético (DNA ou RNA), mas não possuem a maquinaria para reproduzir sua estrutura. Por conta disso, ele parasita a célula do hospedeiro e rouba sua maquinaria da célula, assim ele consegue se reproduzir e infectar novas células e novos hospedeiros.            Uma característica importante dos vírus é que seu material genético é instável, pode sofrer mutações e mudar características do vírus muito rápido. Essas mutações são aleatórias e aquelas que conferem alguma vantagem tendem a se manter.           É através dessas mutações que muitos vírus que surgem em outras espécies, podem acabar mais tarde infectando humanos ou vice-e-versa.           Este parece ser o caso do Sars-CoV-2, vírus causador da COVID-19. Existem muitos coronavírus em outros mamíferos e atualmente, apenas sete desses são  capazes de infectar humanos. No entanto, o vírus pode adquirir mutações que permitam que ele passe de espécies e seja capaz de parasitar células humanas.           Foram analisados Sars-CoV de alguns animais e o mais parecido com o Sars-CoV-2 foi encontrado em morcegos. No entanto, análises sugerem que este corona é incapaz de infectar células humanas. Outro coronavírus, encontrado em pangolins (Manis javanica), não eram tão semelhantes ao Sars-CoV-2 mas sua estrutura sugere que este era capaz de infectar humanos. Além disso, o pangolin é um animal natural da Ásia que também é vendido no mercado de Huanan, em Wuhan, onde os primeiros casos da COVID-19 foram identificados.            Cientistas acreditam em duas hipóteses para o surgimento do Sars-CoV-2. Um coronavírus pode ter infectado humanos, mas não era muito patogênico, por conta disso, ele ficou despercebido e pode ter adquirido mutações enquanto passava pelos hospedeiros humanos. Após certo período, um humano pode ter infectado pangolins onde o vírus permaneceu por um tempo e depois estes animais infectaram humanos novamente. A segunda hipótese é que o vírus tenha mutado nos próprios animais e só depois passado para humanos. Como ainda não foi encontrado um ancestral direto do Sars-CoV-2 é difícil afirmar com certeza a sua origem.           Mas como sabemos que o vírus não foi criado em laboratório?           A primeira coisa que é possível analisar é que mudanças no envelope do vírus não indicam uma ligação perfeita nas células do hospedeiro, sendo assim, não havia como prever que essas mutações em si eram mais efetivas para a infecção. Além disso, um vírus muito semelhante ao Sars-CoV-2 teria que ter sido isolado há algum tempo para ser usado de esqueleto para a geração do novo Sars-CoV-2, o que não foi reportado em nenhuma instituição.            Visto a falta de informação sobre as novas mutações que o Sars-CoV-2 apresenta em relação aos outros coronavírus e semelhança com coronavírus encontrados em animais, é possível afirmar que o vírus foi produto de mutações e seleção natural e não criado em laboratório.

Por Taís Aparecida Matozo de Souza em 06/04/2020.


Fonte:

ANDERSEN, Kristian G. et al. The proximal origin of SARS-CoV-2. Nature Medicine, p. 1-3, 2020. https://doi.org/10.1038/s41591-020-0820-9

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