Tratamento com anticoagulante em pacientes com COVID-19

A primeira coisa a ressaltar é que anticoagulantes não estão sendo usados para tratar a COVID-19, mas sim, coágulos que são formados devido a doença. Dito isso, vários estudos têm sido publicados relatando o aparecimento de trombos em casos mais graves da COVID-19.

Coágulos ou trombos são agregados de plaquetas ou fibrina que o corpo utiliza como um “tapa buraco” que cobre ferimentos a fim de evitar sangramento, como mostrado na figura abaixo.

Um estudo mostrou que em cerca de 70% dos casos fatais da COVID-19, há indícios de coagulação intravascular disseminada (CIVD), que pode levar a obstrução de vasos sanguíneos prejudicando a oxigenação dos tecidos e se não tratada, pode levar a falência múltipla de órgãos. Além disso, como os fatores coagulantes estão se acumulando nos vasos, sobram poucos fatores no sangue, o que pode levar a hemorragia, caso haja alguma lesão durante a CIVD.

Um estudo realizado no hospital Sírio-Libanês (São Paulo) em colaboração com a Faculdade de Medicina da USP, realizou autópsias em pacientes que morreram devido a COVID-19. Os pulmões dos pacientes apresentaram alterações que indicam hipercoagulação nos pacientes. Esse estudo é importante, pois, há poucos estudos com autópsia de pacientes com COVID-19. Além disso, confirma outros estudos que indicavam uma alta coagulação durante a COVID-19 em pacientes ainda vivos.

Não se sabe ao certo qual a causa do aparecimento da CIVD em pacientes com COVID-19, mas acredita-se que seja um evento causado pela tempestade de citocinas. As citocinas são proteínas mensageiras secretadas especialmente por células do sistema imune ou por células de tecidos que foram lesados. Esses